Notícias

EUA cogitam tarifa zero para produtos que não cultivam, mas Brasil não é citado

Secretário de Comércio norte-americano, Howard Lutnick cita café, manga e cacau como possíveis exceções ao tarifaço, mas ignora Brasil, maior fornecedor de café aos norte-americanos
  • Categoria: Geral
  • Publicação: 29/07/2025 23:09

Em meio à escalada de tensões comerciais provocada pelo tarifaço de 50% anunciado pelo presidente Donald Trump contra produtos brasileiros, uma nova declaração do secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, mostra chamou atenção nesta terça-feira (29/7).

Em entrevista à rede CNBC, ele afirmou que produtos não cultivados nos EUA, como café, manga, abacaxi, coco e cacau, “poderiam ser elegíveis para tarifa zero”.

“Se você produz algo que nós não produzimos, então pode haver tarifa zero.

São recursos naturais.

Quando o presidente faz um acordo, ele inclui isso”, declarou.

Lutnick não citou, porém, quais países seriam beneficiados pela medida — e o Brasil, líder global na exportação de café, ficou de fora da menção.

A fala surge a 3 dias da entrada em vigor da tarifa de 50% sobre diversos produtos brasileiros, prevista para esta sexta-feira (1º de agosto).

O governo brasileiro tem buscado reverter a medida, que poderá afetar diretamente setores como o de carnes, frutas e, em menor grau, o de café.

Ainda assim, o Brasil é responsável por cerca de um terço do mercado de café nos EUA, que compraram 17% de toda a exportação brasileira do grão entre janeiro e maio deste ano.

Brasil na mira, Europa em acordo

Lutnick abordou ainda o tema das tarifas ao comentar os avanços nas negociações comerciais entre os EUA e a União Europeia. Segundo ele, a cortiça — produto europeu com baixa produção norte-americana — poderá ter isenção tarifária.

Já em relação à China, o secretário foi mais cético:

“A China é algo próprio.

Temos nossa equipe trabalhando com eles”, afirmou.

Com relação aos demais países, Lutnick afirmou que o presidente Trump deverá anunciar suas decisões sobre possíveis acordos ou isenções até sexta-feira.

Nos bastidores, o governo brasileiro recebeu com cautela a declaração do secretário norte-americano.

Fontes do Itamaraty indicam que o Brasil pode usar essa abertura para intensificar a tentativa de exclusão do café e de outros produtos tropicais da nova tarifa.

No entanto, o fato de o Brasil não ter sido mencionado — mesmo liderando a exportação global de itens citados como elegíveis à tarifa zero — reforça o clima de incerteza.