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Julgamento de Bolsonaro no STF, 2º dia: defesas contestam denúncia da PGR

Julgamento será retomado agora apenas na semana que vem, quando estão previstas mais três sessões na Primeira Turma da Suprema Corte do país. Confira tudo que rolou no segundo dia
  • Categoria: Geral
  • Publicação: 03/09/2025 22:31

Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retomou, às 9h18 desta quarta-feira (3/9), o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de militares acusados de tentativa de golpe de Estado e crimes contra a democracia após as eleições de 2022.

O segundo dia da sessão acabou totalmente dedicado às sustentações orais das defesas, incluindo a do próprio Bolsonaro e a de três generais:

Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.

O advogado Mayer Milanez, representante do general da reserva e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional Augusto Heleno, abriu as falas da manhã. Ele destacou três pontos centrais.

Nulidade pela manipulação e impossibilidade de análise das provas colhidas na investigação;

Nulidade pela violação ao sistema acusatório;

Nulidade pela violação ao sistema acusatório;

Direito ao silêncio e consequente absolvição do general.

Durante a sustentação, Milanez exibiu uma imagem da caderneta pessoal de Heleno, afirmando que nela constava a orientação de que Bolsonaro deveria se vacinar contra a covid-19.

Segundo o advogado, o afastamento entre o general e o então presidente era comprovado por depoimentos e registros já divulgados pela imprensa, como declarações do delator Mauro Cid e de assessores próximos a Bolsonaro.

Ao buscar distanciar Heleno de Bolsonaro, a defesa alegou que o general teria perdido influência no governo a partir do segundo ano de mandato, quando o ex-presidente se aproximou do Centrão. 

Milanez reforçou que o caderno apreendido pela PF era apenas um "apoio à memória" e não foi compartilhado com terceiros, pedindo a absolvição do militar.

O advogado criticou ainda a forma como a Polícia Federal apresentou os documentos no processo. Segundo ele, as provas foram entregues em meio a "uma montanha de documentos", dificultando a análise.

A Procuradoria-Geral da República acusa Heleno de incentivar ataques ao sistema eleitoral e de participar de articulações golpistas.

Milanez também afirmou que o sistema acusatório foi desrespeitado durante o interrogatório do general, já que, enquanto o Ministério Público fez 59 perguntas, o relator, ministro Alexandre de Moraes, formulou 302 questionamentos.

"Qual é o papel do juiz julgador?

Ou é o juiz inquisidor?

O juiz é imparcial, por que o magistrado tem a iniciativa de pesquisar as redes sociais da testemunha?", questionou. https://youtu.be/6qoec5nXrbU?si=mv3Phbto0ymq6VqR