Congresso será campo de batalha sobre anistia para golpistas
Iminência da prisão de Bolsonaro, condenado pelo STF, mobiliza oposição para aprovar projeto de perdão amplo, geral e irrestrito. Desafio, entretanto, é alinhar a estratégia com o Centrão e superar resistências, especialmente do presidente do Senado
- Categoria: Geral
- Publicação: 13/09/2025 10:51
A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) reacendeu a disputa em torno do projeto de anistia no Congresso Nacional.
Na última quinta-feira, o ex-chefe do Executivo foi sentenciado a 27 anos e 3 meses de prisão, em regime inicialmente fechado.
É a primeira vez na história do país que um ex-presidente recebe punição por golpe de Estado.
Com a iminência da prisão de Bolsonaro, a anistia transformou-se em um dos principais pontos de mobilização da oposição, que defende perdão amplo, geral e irrestrito aos golpistas.
O desafio, entretanto, é alinhar a estratégia com o Centrão e superar a resistência do Senado.
A pauta vinha sendo discutida desde os atos extremistas de 8 de Janeiro, mas ganhou tração após o julgamento.
Aliados de Bolsonaro intensificaram articulações, inclusive com apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que deve reforçar as conversas em Brasília nos próximos dias.
Na Câmara, a oposição busca que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), coloque o projeto em análise.
Motta, no entanto, tem resistido a pautar o texto, que divide o Centrão.
No Senado, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) defende uma versão mais restrita.
A ideia seria recalibrar penas, sem conceder perdão a Bolsonaro ou ao núcleo central da tentativa de golpe.
Interlocutores próximos ao parlametar afirmam que dificilmente a Casa votará uma anistia ampla.
As posições, no entanto, seguem polarizadas. Parlamentares governistas rejeitam qualquer iniciativa de anistia.
A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) afirmou ao Correio que "não pode haver perdão para golpistas" e classificou a medida como inconstitucional.
"A retomada dessa discussão é inaceitável.
Precisamos de punição exemplar para evitar novos atentados contra a democracia", argumentou.
Entre os críticos do STF, o senador Dr. Hiran (PP-RR) defende o debate.
Para ele, a condenação de Bolsonaro precisa ser analisada sob critérios técnicos.
"Há dúvidas sobre a competência do tribunal e a proporcionalidade da pena.
Não podemos permitir que a política se sobreponha ao direito", frisou.
Já o senador Beto Faro (PT-PA) classificou a anistia ampla como "desmoralização institucional".
Ele reconheceu, no entanto, a possibilidade de discutir penas mais brandas para manifestantes que seguiram o "efeito manada".
"O Supremo já vem considerando esses casos em acordos de não persecução penal", destacou.
Na avaliação do STF, crimes contra a democracia não podem ser perdoados.
Durante o julgamento, o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo da trama golpista, reforçou que a Constituição não permite anistia para esse tipo de delito.
A posição é compartilhada por outros integrantes da Corte, que veem risco de repetição de atos golpistas em caso de aprovação da medida.
Juristas, por sua vez, sustentam que o instituto da anistia tem respaldo constitucional.
O professor da USP Rubens Beçak lembrou que o Brasil já utilizou o mecanismo em diferentes momentos da história, como em 1945, após o Estado Novo, e em 1979, no processo de redemocratização.
"Se o Parlamento quiser, vale.
É uma decisão política", avaliou.
Ele também diferenciou anistia de indulto:
"Enquanto o indulto é um ato do presidente por decreto, a anistia é aprovada pelo Legislativo e tem caráter mais amplo." https://youtube.com/playlist?list=PLgyCfRLM8HwbWCa8eMesWbxfNis_K16Hv&si=bnWXQ3SuiIV_HVrY
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