PF expõe infiltração de policiais militares em esquema que abastecia o CV
Operação Tredo prendeu sargentos da PM ao revelar rede que antecipava ações policiais a líderes da facção no Rio
- Categoria: Geral
- Publicação: 08/12/2025 20:47
A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (8/12) a Operação Tredo, ofensiva que revelou um circuito de vazamento de informações estratégicas a partir da própria estrutura de segurança do Rio de Janeiro.
Foram cumpridos 11 mandados de prisão temporária e seis de busca e apreensão contra suspeitos de repassar dados sobre operações em áreas controladas pelo Comando Vermelho.
Dois sargentos da Polícia Militar foram detidos, incluindo um integrante do Bope considerado peça-chave no repasse de escalas e deslocamentos de equipes.
Segundo nota da PF, “a conduta permitia que criminosos se organizassem previamente contra ações legítimas das forças policiais”.
As apurações apontam que o grupo informava aos líderes do Comando Vermelho sobre datas, trajetos e objetivos das incursões, comprometendo a atuação das tropas.
Um sargento do Bope detido, cujo nome não foi divulgado, atuava no setor de escalas e, segundo os investigadores, utilizava essa função para orientar membros da facção.
O termo que batiza a operação, “Tredo”, significa traidor e, para a PF, sintetiza a ruptura de confiança instalada dentro do aparato estatal.
Entre os presos está ainda o segundo-sargento Rodolfo Henrique da Rosa, citado como informante de Carlos da Costa Neves, o Gardenal, liderança do tráfico no Complexo da Penha.
Da Rosa tentou escapar ao ser alertado pelo porteiro de que homens armados haviam chegado ao prédio. Tratava-se de uma equipe descaracterizada da PF.
A fuga terminou em perseguição pela Avenida Brasil e na colisão com um veículo policial, sem feridos.
Outro militar da PM, também praça, foi detido, mas sua identificação permanece sob sigilo.
A ação de hoje é desdobramento de investigações que começaram há mais de um ano.
Em 2024, apurações da PF revelaram a participação de um militar da Marinha no fornecimento de drones e no treinamento de integrantes do Comando Vermelho, em procedimento autorizado no âmbito da Operação Buzz Bomb.
A partir desse material, os agentes rastrearam novos vínculos e mapearam policiais envolvidos no fluxo de informações repassadas à facção.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, expedidas pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Rio, foram apreendidos três veículos e celulares utilizados pelos investigados.
Entre os alvos também estão Gardenal e Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em liberdade.
A Polícia Militar informou que atua na operação por meio da Corregedoria, enquanto a defesa de Da Rosa ainda não se pronunciou.
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