Sobre Vivência do 8 de janeiro: ruptura, choque e reinterpretação da democracia
João Moura de Brasília Para Tv Batatinha Web
- Categoria: Geral
- Publicação: 08/01/2026 23:10
Andar de verde e amarelo não faz de você um patriota muito menos um nacionalista ou guerreiro pela liberdade.
O presidente Lula vetou o projeto que reduzia penas de Bolsonaro e condenados pelo 8 de janeiro.
O anúncio do veto aconteceu no dia em que os ataques golpistas completaram três anos.
Os presidentes da Câmara e do Senado faltaram às cerimônias, e o STF realizou seu próprio ato.
No dia 8 de janeiro, o que senti primeiro foi incredulidade.
As imagens chegavam em sequência, quase sem tempo para serem assimiladas, e eu custava a reconhecer nelas o país em que vivo.
Não era apenas a destruição física dos prédios públicos que me afetava, mas a sensação de que algo mais profundo havia sido rompido — uma espécie de acordo silencioso sobre limites, respeito e convivência democrática.
Acompanhar os acontecimentos provocou um desconforto difícil de nomear.
Havia indignação, mas também um sentimento de impotência.
Parecia que a democracia, que até então eu via como algo relativamente estável, estava exposta de forma crua, vulnerável, dependendo da ação — ou da omissão — de pessoas e instituições concretas.
Pela primeira vez, percebi que ela não é um dado adquirido, mas uma construção frágil, que pode ser tensionada até o limite.
O impacto emocional foi agravado pela forma como tudo aconteceu diante das telas.
As redes sociais transformaram o episódio em um fluxo contínuo de imagens, versões e discursos conflitantes.
Enquanto eu tentava compreender o que estava acontecendo, também me dava conta de que diferentes pessoas vivenciavam aquele mesmo dia de maneiras radicalmente opostas.
Essa fragmentação da realidade me inquietou quase tanto quanto os próprios ataques.
Depois do choque inicial, veio a tristeza.
Uma tristeza cívica, de ver símbolos públicos sendo violados e de perceber o quanto o debate político havia se degradado a ponto de justificar a negação das próprias instituições.
Não era apenas sobre um lado ou outro, mas sobre a dificuldade crescente de reconhecer o outro como parte legítima da mesma comunidade política.
Com o passar do tempo, o 8 de janeiro deixou de ser apenas um dia de imagens violentas e passou a ocupar um lugar mais profundo na minha memória.
Tornou-se um marco, um alerta.
Passei a enxergar com mais clareza a importância da responsabilidade coletiva, da informação qualificada e do compromisso cotidiano com a democracia.
A vivência daquele dia não se encerrou ali; ela continua reverberando na forma como observo a política, as instituições e o papel de cada um de nós na preservação do espaço democrático.
O Congresso Nacional aprovou, no fim do ano passado, o projeto que pode reduzir a punição de todos os envolvidos na tentativa de golpe contra a democracia brasileira e contra os poderes constituídos, o presidente Lula vetou integralmente o projeto.
O 8 de janeiro está marcado pela história como o dia da vitória da democracia.
Vitória sobre os que tentaram tomar o poder pela força, desprezando a vontade popular expressa nas urnas.
Com o veto de Lula, o projeto volta ao Congresso e os parlamentares vão decidir, em sessão conjunta, se mantêm ou derrubam a decisão.
Para derrubar o veto, será necessário o apoio de 257 deputados e 41 senadores.
Se derrubado, o projeto de lei entra em vigor após sua promulgação, que pode ser feita por Lula ou pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Existe um mundo que você não vivencia e, por isso, é preciso defender a Democracia e o Estado de Direito Democrático.
Fiquemos de olho!
**João Moura é Professor, Filosofo e Observador da Sociedade e Governos*
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