Notícias

MP Militar pede expulsão de Bolsonaro das Forças Armadas

Caso a Corte entenda que houve incompatibilidade com a carreira militar, o ex-presidente e demais militares condenados por tentativa de golpe podem perder benefícios ligados ao posto
  • Categoria: Geral
  • Publicação: 04/02/2026 00:14

O Ministério Público Militar (MPM) apresentou, nesta terça-feira (3/2), ações para que o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros militares condenados por participação na trama golpista sejam declarados “indignos ou incompatíveis para o oficialato” e, consequentemente, expulsos das Forças Armadas.

A expectativa é que os julgamentos tenham início ainda neste ano.

Com a manifestação do MPM, caberá ao Superior Tribunal Militar (STM) analisar se os crimes atribuídos aos oficiais os impedem de manter suas patentes.

Caso a Corte entenda que houve incompatibilidade com a carreira militar, os condenados podem perder benefícios ligados ao posto incluindo o direito de cumprir eventual pena em unidades militares.

Os processos serão avaliados de forma individual.

A possibilidade de perda de patente está prevista no artigo 142 da Constituição, que autoriza a declaração de indignidade por decisão de tribunal militar quando o oficial é condenado a mais de dois anos de prisão condição que se aplica aos militares sentenciados pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) no processo relacionado à tentativa de golpe.

Além de Bolsonaro, capitão da reserva, também foram condenados os generais Walter Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira e Augusto Heleno, bem como o almirante Almir Garnier.

Será a primeira vez que o STM deliberará sobre as consequências disciplinares de crimes como golpe de Estado e tentativa de abolição do Estado democrático de Direito.

Se a punição for confirmada, ocorre o que a legislação militar chama de “morte ficta” uma morte simbólica para a corporação.

Nessa situação, o militar perde a patente, eventuais cargos e benefícios, e deixa de ter direito a prisão especial.

Sem jurisprudência

Composto por 15 ministros 10 militares e cinco civis, o STM nunca aplicou esse tipo de sanção a um oficial de alta patente em seus cerca de dois séculos de existência, sendo o tribunal mais antigo do país, criado ainda no período monárquico.

Já o MPM é formado por civis aprovados em concurso público.

Especialistas em Justiça Militar apontam que o tribunal costuma ser rigoroso em casos de desvios internos, como fraudes ou furtos de equipamentos, mas tende a adotar postura mais branda quando os crimes envolvem civis.

Um episódio citado é a absolvição, no fim do ano passado, de oito militares acusados pela morte do músico Evaldo Rosa, após o carro em que ele estava ser atingido por disparos do Exército no Rio de Janeiro.

Na ocasião, os ministros avaliaram não ser possível determinar a origem dos tiros.

Apesar disso, levantamentos indicam que, em processos que tratam da perda de patente, o índice de punição é elevado: nos últimos oito anos, o STM cassou o título militar em 86% dos 93 casos analisados, a maioria relacionada a estelionato e fraudes internas.

As defesas dos militares condenados, contudo, enxergam um cenário distinto daquele enfrentado no STF.

Cinco dos ministros que participarão do julgamento foram indicados por Bolsonaro, e alguns tiveram convivência profissional com os oficiais agora sob análise.

O general Lourival Silva, por exemplo, integrou o Alto Comando do Exército ao lado de Paulo Sérgio e Braga Netto.

Já os almirantes Leonardo Puntel, Celso Nazareth e Cláudio Viveiros fizeram parte do Almirantado a cúpula da Marinha na mesma época em que Garnier ocupava posição de destaque na Força.

TV BATATINHA WEB 24 Horas NoAr https://share.google/8aRw3wiapmxldSc0g

VENHA YOUTUBE https://youtube.com/playlist?list=PLgyCfRLM8HwbWCa8eMesWbxfNis_K16Hv&si=YWdktegtyooNMuSa

TIKTOK https://www.tiktok.com/@tvbatatinhaweb2?_r=1&_t=ZS-93d9YqtQtjo