Ministérios se agitam com eleição à frente
Titulares de pastas na Esplanada traçam, com o Palácio do Planalto, o rumo mais adequado para reforçar os esforços pela reeleição de Lula e, também, a construção de uma bancada forte — sobretudo no Senado — na próxima legislatura
- Categoria: Geral
- Publicação: 01/03/2026 08:45
Março chega como reta final para os ministros que precisam deixar a Esplanada em busca de cargos eletivos em outubro.
De acordo com a legislação eleitoral, os titulares têm até seis meses antes do primeiro turno para se desincompatibilizar.
No momento, 21 ministros estudam deixar as pastas que ocupam com destinos diversos: concorrer ao Senado, à Câmara dos Deputados, a governos estaduais ou mesmo se dedicar à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar de os palanques estaduais ainda estarem em processo de definição, ministros são peças-chave para a estratégia do presidente, que busca um inédito quarto mandato no Palácio do Planalto.
Pesquisas eleitorais recentes, que mostraram um avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como nome da direita, acenderam um alerta no governo sobre a necessidade de garantir candidaturas fortes nos principais colégios eleitorais São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia.
São Paulo é a maior incógnita por enquanto. Cresce a pressão do Planalto e do PT para que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, dispute o Palácio dos Bandeirantes contra o incumbente Tarcísio de Freitas (Republicanos). Lula, Haddad e o vice-presidente Geraldo Alckmin se reúnem, a princípio, na terça-feira, para definir o desenho no estado.
Apesar de Haddad negar publicamente que sua candidatura esteja definida, ela é dada como certa por aliados, uma vez que o ministro é considerado o único nome competitivo contra o governador paulista, escanteado eleitoralmente pelo clã Bolsonaro e praticamente obrigado a disputar a reeleição.
Pressão
Por sua vez, Alckmin também é pressionado a concorrer pelo estado possivelmente ao Senado, abrindo espaço para que um nome do MDB componha a chapa de Lula como vice.
Nos bastidores, o atual vice-presidente nega querer disputar qualquer cargo que não seja a reeleição.
O PSB tenta garanti-lo no posto e parte dos emedebistas resiste à hipótese de se atrelar a Lula não esqueceram a campanha que o PT fez contra o partido, à epoca do impeachment de Dilma Rousseff, tentando colar no então vice Michel Temer a alcunha de traidor.
Ainda assim, setores do MDB veem vantagem em embarcarem na segunda reeleição de Lula, sobretudo no Norte e no Nordeste, onde o presidente, aos poucos, perde capital eleitoral para o bolsonarismo.
São Paulo também é destino de outros ministros de peso.
Simone Tebet, do Planejamento e Orçamento, pretende se lançar ao Senado pelo MDB.
Para isso, porém, precisa trocar domicílio eleitoral e de partido, já que o partido no estado pretende embarcar na reeleição de Tarcísio e na campanha de Flávio Bolsonaro.
Ela foi senadora pelo Mato Grosso do Sul até 2022, quando disputou a Presidência e, por conta do apoio que deu a Lula no segundo turno, foi convidada para ser ministra.
Quem também mira o Senado é a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, que negocia a volta ao PT para viabilizar-se na disputa.
Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, quer se reeleger como deputado federal por São Paulo.
Já Márcio França, do Empreendedorismo, lançou pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes, mas pode ser mais um nome ao Senado.
Porém, um candidato a mais do campo progressista poderia dividir os votos.
Também quer ser governador o ministro Renan Filho (Transportes), em Alagoas, para tentar fazer uma barreira de contenção ao grupo do ex-presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL) que deve contar com o apoio do bolsonarismo.
Mas Renan não é o único que vai em busca de um governo estadual: André Fufuca (Esportes), no Maranhão, pretende concorrer ao Palácio dos Leões, porém pode reforçar o time governista na busca de uma cadeira ao Senado.
Outro que pode voltar ao Poder Executivo local é Camilo Santana (Educação) aguarda definição se apoiará a campanha à reeleição de Elmano de Freitas (PT) ao Palácio da Abolição ou se ele mesmo vai à luta, caso se conclua pelas pesquisas de intenção de votos que tem mais chances de vitória.
Em Minas Gerais, o xadrez está complicado, uma vez que o bolsonarismo formou uma base forte no estado.
Dos ministros, a dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, vai atrás da reeleição a deputada estadual, condição que não é capaz de influenciar tanto assim na reeleição de Lula.
Alexandre Silveira, de Minas e Energia, chegou a ser cotado para o governo mineiro ou para o Senado, mas deve se abster da disputa e participar da coordenação da campanha de Lula no estado, sem deixar o posto na Esplanada.
Isso porque o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), adversário de Silveira, sinalizou ao presidente que pode aceitar o convite para disputar o Palácio da Liberdade contra o atual vice-governador, Mateus Simões, apoiado pelo governador Romeu Zema (Novo) e pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Além de Silveira, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também participará da campanha à reeleição do presidente sem deixar o cargo.
Já o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, planeja sair do posto para se dedicar integralmente à busca do novo mandato pelo presidente. Publicitário, Sidônio fez carreira em campanhas políticas e comandou a que levou à vitória do petista, em 2022, sobre Jair Bolsonaro.
O Senado é destino prioritário de grande parte dos ministros.
Além dos já mencionados, buscam uma cadeira na Casa Rui Costa (Casa Civil), pela Bahia; Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), pelo Paraná; Waldez Góes (Desenvolvimento Regional), pelo Amapá; Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), por Pernambuco; e Carlos Fávaro (Agricultura), pelo Mato Grosso.
Querem a Câmara Jader Filho (Cidades), pelo Pará; André de Paula (Pesca), por Pernambuco; Anielle Franco (Igualdade Racial), pelo Rio de Janeiro; Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), por São Paulo; Sonia Guajajara (Povos Indígenas), por São Paulo; e Wolney Queiroz (Previdência), por Pernambuco.
Esse último, porém, ainda aguarda o sinal verde de Lula.
A maior parte dos ministros que deixar os cargos deve ser substituída pelos secretários-executivos.
É o caso de Haddad, com Dario Durigan, e de Rui Costa, com Miriam Belchior que, aliás, foi ministra do Planejamento de Dilma.
A ordem de Lula é que não haja mudanças nas equipes das pastas, especialmente nos cargos de segundo escalão.
Ministérios comandados por legendas de centro, porém, pretendem indicar nomes próprios.
Um dos casos é o Ministério da Agricultura, controlado pelo PSD.
Com a saída de Carlos Fávaro, a sigla defende que André de Paula, titular da Pesca, seja transferido para o posto, embora ele próprio resista à ideia e pretenda disputar uma cadeira na Câmara.
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