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Justiça afasta prefeito paraense por suspeita de desvios de R$ 260 milhões

Operação Hades investiga fraudes em licitações, favorecimento a hospital privado e enriquecimento ilícito
  • Categoria: Geral
  • Publicação: 06/08/2025 00:03

A Justiça do Pará determinou, nesta terça-feira (5/8), o afastamento cautelar do prefeito de Ananindeua, Daniel Barbosa Santos (PSB), investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção que pode ter desviado até R$ 260 milhões dos cofres públicos.


A decisão liminar, proferida pelo desembargador Pedro Sotero, atende a pedido do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), com base em apurações da Operação Hades

Segundo as investigações, o esquema teria operado por meio de fraudes em contratos com o Hospital Santa Maria de Ananindeua, ligado à rede conveniada do Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Pará (IASEP).

O MP aponta superfaturamento, simulações de atendimentos e favorecimento financeiro a prestadores de serviços privados.

Durante a operação, equipes do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Centro de Investigação do MPPA cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao prefeito, a integrantes da gestão municipal e a empresas terceirizadas.

Documentos, eletrônicos e registros financeiros foram recolhidos sob sigilo judicial.

Por meio da rede social, o prefeito Daniel Santos, classificou a medida como uma perseguição política, afirmando que não teve direito a defesa.

“Tal perseguição chegou ao ponto de afastarem, sem direito a defesa, o prefeito reeleito com a 2ª maior votação do país.

Vamos recorrer, vencer e lutar até o final pra derrotar essa ditadura. Seguimos firmes!”, escreveu.

Com o afastamento, quem assume interinamente a prefeitura é o vice-prefeito Hugo Atayde (PSDB), que ocupava cargos estratégicos na administração.

Ele deverá permanecer no cargo enquanto durar o afastamento judicial.

De acordo com o MP, entre os indícios encontrados estão notas fiscais com valores acima do mercado, especialmente em procedimentos e insumos de uso hospitalar.

Um dos casos citados envolve agulhas descartáveis supostamente vendidas a R$ 18 a unidade, apesar de o preço médio girar em torno de R$ 0,35.

Em um único atendimento, teriam sido registradas 68 agulhas para um único paciente — número considerado tecnicamente improvável.

A investigação também levantou que, entre 2018 e 2022, o Hospital Santa Maria apresentou crescimento de 838% em lucro líquido, saltando de R$ 3 milhões para mais de R$ 108 milhões, período em que Daniel Santos ainda detinha influência sobre a estrutura societária, mesmo após declarar saída formal da empresa.

Ananindeua, município da Região Metropolitana de Belém, é o segundo maior colégio eleitoral do estado.

Daniel Santos foi reeleito em 2020 com mais de 83% dos votos válidos, e vinha sendo apontado como potencial nome para disputar cargos majoritários em 2026.