Moraes critica defesa de Heleno: "Não cabe a advogado censurar magistrado"
Ministro afastou questões preliminares levantadas pelos advogados dos réus pela trama golpista. Antes de iniciar voto, Moraes rechaçou argumento de advogado Matheus Milanez — que reclamou de quantidades de perguntas ao general
- Categoria: Geral
- Publicação: 09/09/2025 11:14
Ao afastar as questões preliminares levantadas pelas defesas do núcleo 1 da trama golpista, o ministro Alexandre de Moraes rebateu argumento de advogado do general Augusto Heleno, Matheus Milanez, que questionou o número de perguntas feitas pelo magistrado durante o interrogatório dos réus.
O relator apontou que não é função dos defensores monitorar a quantidade de questões.
Moraes também afastou a alegação de que não poderia participar dos interrogatórios.
"Não cabe a nenhum advogado censurar o magistrado dizendo o número de perguntas que ele deve fazer.
Há argumentos jurídicos muito mais importantes do que ficar contando o número de perguntas que alguém fez", afirmou o relator.Ao defender Augusto Heleno no Supremo, o advogado reclamou das provas produzidas pela PF e atacou a condução da investigação, criticando a forma como a Polícia Federal entregou os autos, em meio a uma “montanha de informações” que teria prejudicado a defesa.
Milanez também questionou o papel ativo do ministro Alexandre de Moraes no inquérito, destacando que o magistrado fez mais de 300 perguntas ao seu cliente durante o interrogatório.
“Qual é o papel do juiz julgador?
Ou é o juiz inquisidor?”, provocou.
Antes de iniciar o voto, Moraes afastou as questões preliminares levantadas pelas defesas dos réus do chamado “núcleo crucial” da trama golpista.
O magistrado ressaltou a validade da delação do tenente-coronel Mauro Cid e criticou os argumentos das defesas dos réus sobre possíveis contradições nos depoimentos prestados à Polícia Federal durante a investigação.
O relator também destacou que todas as provas obtidas pela investigação ficaram à disposição dos acusados.
"Todas as provas estão no processo e as defesas tiveram pleno acesso", afirmou Moraes.
O ministro diz que as provas foram solicitadas pelas próprias defesas e entregues pela Polícia Federal.
"Do recebimento à fase das alegações finais, foram quatro meses.
E nenhuma defesa juntou um único print, uma única gravação pertinente para o processo.
São oito equipes de advogados que, por quatro meses, ficaram com essas provas que elas próprias pediram", apontou.
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