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Brasil e Estados Unidos, enfim, negociarão tarifas

Mauro Vieira e secretário de Estado americano, Marco Rubio, reúnem-se nesta quinta-feira, em Washington, para discutir taxas impostas a produtos brasileiros. Lula mostra confiança em uma virada diplomática. Segundo ele, "pintou uma indústria petroquímica" com Trump
  • Categoria: Geral
  • Publicação: 16/10/2025 10:06

O chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reúnem-se nesta quinta-feira em Washington para negociar a aplicação de tarifas contra produtos brasileiros.

A data foi confirmada nesta quarta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Vieira está na capital americana desde segunda-feira para o encontro, marcado na semana passada durante ligação de 15 minutos entre os dois ministros.

A reunião é considerada preparatória para uma bilateral entre Lula e o presidente norte-americano, Donald Trump, prevista para o fim do mês, durante a Cúpula da Asean, na Malásia, e pode abrir caminho para uma redução das taxas impostas ao Brasil.

A negociação entre Vieira e Rubio será o primeiro contato formal entre autoridades de ambos os países desde a conversa entre Lula e Trump.

Um dia antes do encontro, porém, autoridades americanas voltaram a disparar críticas contra o Judiciário brasileiro.


"Ele (Trump) me ligou, e eu falei: 'Presidente, eu queria estabelecer uma conversa sem liturgia. Estou fazendo 80 anos hoje. Você vai fazer 80 anos no dia 14 de julho porque eu tinha pesquisado.

Significa que eu sou oito meses mais velho do que você. Então, vamos nos tratar de você, sem liturgia'.

E aí eu comecei a falar o que eu achava que deveria ter falado.

Não pintou uma química, pintou uma indústria petroquímica.

Amanhã (esta quinta-feira) vamos ter a conversa de negociação", discursou Lula, durante solenidade para a abertura do sistema de solicitação da Carteira Nacional Docente do Brasil (CNDB), no Rio de Janeiro (leia reportagem na página 5).

O chefe do Executivo fez referência ao breve encontro com Trump durante a Assembleia das Nações Unidas, em setembro.

Foi a primeira vez que os dois se falaram.

Logo depois, o republicano disse que teve uma "excelente química" com Lula, e anunciou o início das negociações entre EUA e Brasil.

Alguns dias depois, os dois líderes conversaram por telefone e combinaram um encontro presencial, ainda não confirmado.

O contato marcou uma virada nas relações diplomáticas, que só se deterioraram após Trump assumir o cargo, no início deste ano.

Desde que os Estados Unidos impuseram sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros e sanções contra integrantes do Executivo e do Judiciário, como o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), praticamente não houve contato entre autoridades dos dois países.

Após a conversa entre Lula e Trump, os ânimos esfriaram, e os dois lados pararam de fazer ataques públicos.

Até esta quarta-feira.

Em coletiva de imprensa, o representante dos Estados Unidos para Comércio, Jamieson Greer, afirmou que a sobretaxa imposta "está relacionada com preocupações extremas sobre o Estado de Direito, censura e direitos humanos no Brasil, onde um juiz brasileiro decidiu, por si só, ordenar que empresas dos Estados Unidos se autocensurem, dar a elas ordens secretas, controlar o fluxo de informações; o Estado de Direito em relação aos adversários políticos no Brasil", frisou Greer.

Ao seu lado, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, acrescentou:

"E a detenção ilegal de cidadãos americanos no Brasil".

Pressão

O objetivo do governo brasileiro é remover as tarifas, ou ao menos aumentar a lista de exceções, que conta com mais de 700 itens.

Produtos como o café e a carne aumentaram consideravelmente de preço no mercado americano após as tarifas, provocando pressão de empresários dos EUA sobre o governo Trump.

Já o lado americano pode buscar acordos para a exploração de terras raras e a redução de taxas sobre o etanol dos EUA, por exemplo.

Há expectativa, porém, de que o governo americano pressione o Brasil também em assuntos políticos.

Durante reunião na Casa Branca com o presidente da Argentina, Javier Milei, Trump voltou a fazer disparos contra o Brics, bloco que chamou de "um ataque ao dólar".

Nessa linha, os Estados Unidos devem cobrar que o governo brasileiro deixe de lado os planos para a criação de um sistema de comércio independente da moeda norte-americana.

O Brasil também descarta qualquer tipo de negociação que envolva interferências estrangeiras no sistema Judiciário ou em outras instituições, e quer manter as conversas no âmbito comercial.

Rubio foi apontado por Trump como o principal negociador do lado americano.

Ele ocupa um cargo equivalente ao de ministro das Relações Exteriores.

Já no Brasil, as conversas são lideradas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, por Mauro Vieira e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Por sinal, Haddad planejava estar em Washington na semana que vem, onde também tentaria avançar nas negociações.

Porém, o titular cancelou a viagem após a derrota do governo com a Medida Provisória (MP) 1.303, alternativa ao aumento do IOF para garantir arrecadação.

Havia uma conversa esperada entre o ministro da Fazenda e o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent. https://youtu.be/ace9Nhhhmng?si=fJm12UrZ7GAfw5xt