Tem 48 horas MPF pede acesso a todos os dados da perícia dos corpos de vítimas de megaoperação no Rio em até 48h
Pelo menos 119 pessoas morreram na operação contra o Comando Vermelho. Movimentos de direitos humanos denunciam chacina, mas o governo do Rio contesta.
- Categoria: Geral
- Publicação: 29/10/2025 21:26
O Ministério Público Federal pediu nesta quarta-feira (29/10) ao Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro acesso em até 48 horas a todos os dados da perícia dos corpos das vítimas da megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro.
Na solicitação, o procurador regional dos direitos do cidadão adjunto, Julio José Araujo Junior, diz o prazo se justifica diante da urgência do tema e especifica que os laudos necroscópicos devem informar:
- Descrição completa das lesões externas;
- Descrição completa das lesões internas;
- Identificação dos projéteis nos corpos e extração para encaminhamento pericial;
- Exame radiográfico dos polibaleados;
- Croqui com lesão dos corpos;
- Fotografia de todas as lesões encontradas nos cadáveres;
- Fotografia das características individualizantes;
- Item de discussão contendo trajetória dos projetis e distância dos disparos.
- Pelo menos 119 pessoas morreram na operação realizada na terça-feira (28/10) pelas Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro contra a facção Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital fluminense.
- Desde a madrugada, moradores do Complexo da Penha levaram pelo menos 55 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, uma das principais da região.
Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, o balanço apresentado já inclui esses corpos.- A operação dessa terça-feira foi a mais letal já registrada desde 1990 na região metropolitana do Rio pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF).
- Movimentos de direitos humanos classificam a operação como chacina e questionam sua eficácia como política de segurança.
- O grande número de vítimas também foi criticado pelo Alto Comissariado dos Direitos Humanos das Nações Unidas, que se disse "horrorizado" com a operação nas favelas.
- Entre as vítimas, havia quatro policiais.
- Todos os 115 demais seriam "narcoterroristas", segundo o delegado Felipe Curi, secretário da Polícia Civil do Rio.
- "De vítimas ontem só tivemos os policiais", afirmou o governador Cláudio Castro (PL), nesta quarta.
- Curi levantou suspeitas sobre a forma como os corpos apresentados pelos moradores e disse que será aberta uma investigação a respeito.
- "Eles estavam na mata, nós temos imagens deles todos paramentados, com roupas camufladas, com colete balístico, portando essas armas de guerra.
- Aí apareceram vários deles só de cuecas ou só de shorts, descalços, sem nada.
- Ou seja, é um milagre que se operou", disse o delegado.
- "Parece que eles entraram num portal e trocaram de roupa.
- Temos imagens de pessoas que retiraram os corpos da mata e colocaram em via pública e tirando a roupa desses marginais.
- A Polícia Civil está instaurando inquérito policial para investigar essas pessoas pelo crime de fraude processual."
A operação envolveu 2,5 mil agentes das forças de segurança do Rio de Janeiro para cumprir 180 mandados de busca e apreensão e 100 mandados de prisão em uma área de 9 milhões de metros quadrados.
- A ação foi classificada pelo governador como "a maior operação das forças de segurança do Rio de Janeiro", e faz parte da Operação Contenção uma iniciativa permanente do governo do Rio contra o Comando Vermelho.
- "Essa operação teve início com o cumprimento de mandados judiciais e uma investigação de mais de um ano e planejamento feito há mais de 60 dias", afirmou o governador em uma entrevista coletiva na manhã de terça.
- O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, classificou a operação no Rio de Janeiro como "bastante cruenta".
- "Eu estou aqui à distância, tenho acompanhado pelos jornais.
- Foi uma operação bastante cruenta, segundo notícias...
- Lamentavelmente, morreram agentes de segurança pública e, pior ainda, pessoas comuns, inocentes.
- É de se lamentar isso."
- "Eu queria enfatizar que o combate à criminalidade, seja ela comum ou organizada, se faz com planejamento, inteligência, coordenação das forças de segurança."
- O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) pediram nesta terça-feira explicações do governador do Rio de Janeiro sobre a operação policial, considerando, entre outros pontos, sua alta letalidade.
- Os órgãos pediram que o governo de Cláudio Castro demonstre se não havia "meio menos gravoso", ou seja, menos violento, de atingir seus objetivos na segurança pública.
- "Esta Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão e a Defensoria Pública do União solicitam a Vossa Excelência que informe detalhadamente de que forma o direito à segurança pública foi promovido, indicando as finalidades da operação, os custos envolvidos e a comprovação da inexistência de outro meio menos gravoso de atingir a mesma finalidade", diz o ofício do MPF e da DPU.
- O documento pede também que o governo fluminense demonstre ter seguido as deteminações do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635, uma ação apresentada pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) questionando a letalidade policial em comunidades do Rio.
- A ADPF (sigla para Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) gerou um plano de redução da letalidade policial apresentado pelo governo do Rio ao STF, com regras e parâmetros de atuação.
- O plano foi aceito pelo Supremo em abril.
- No ofício dessa terça, o MPF e a DPU pediram que o governo de Cláudio Castro esclareça e comprove que seguiu pontos previstos no plano, como o uso de câmeras corporais por policiais; a apresentação de uma justificativa formal para a operação; e a presença de ambulâncias nos locais afetados.
- Em entrevista coletiva durante a tarde, Cláudio Castro chamou a ADPF de "maldita", afirmando que a ação do STF limitou a ação policial e favoreceu criminosos.
- A ADPF, que ainda não terminou de ser julgada, passou nesta terça a ser relatada temporariamente pelo ministro Alexandre de Moraes a função antes cabia a Luís Roberto Barroso, que acaba de se aposentar.
- Ainda na terça, Moraes deu 24 horas para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre a operação no âmbito da ADPF.
- Na Estrada Com Batatinhatvweb https://youtu.be/swecumHJ6ZI?si=6uPQvaTNSNL_-5N6
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